Por Marcos Botelho.

Existe uma síndrome que ataca os vampiros e os líderes de jovens com muita frequência, e se não tomarem cuidado vai matando de dentro para fora cada um deles.
A lenda conta que os vampiros, não necessariamente este estereotipo dos dentes afiados e sobretudo, e muito menos os que viram purpurina, precisam sugar a energia dos outros para manter-se vivos.
Com o tempo, se tornou comum afirmar que eles sugam o sangue, pois o sangue é o símbolo da vida e da morte.
Esta necessidade de se manter vivo e “eterno” que os vampiros tem, além de os tornarem figuras estranhas, com o passar do tempo, faz ele sofrer muito. Ele quer permanecer “vivo” para viver com quem ama, mas com o passar dos anos ele vê seus amores envelhecerem e morrerem.
Acredito que isso pode ocorrer com aqueles que tem ministério com jovens e adolescentes. Aqueles que trabalham com jovens, são muito parecidos com os vampiros, eles precisam entrar no mundo dos jovens, viverem o que eles vivem, assistir o que eles assistem, falar do jeito que eles falam.
Com o tempo, essa “energia” vai sendo sugada, rejuvenescendo e dando mais vida ao ministério desse líder. Mas o tempo é implacável, e depois de alguns anos, aqueles adolescentes, para os quais você deu sua vida, cresceram, e até casaram. Os seus companheiros e você mesmo ficaram mais velhos, e você acaba se sentindo um estranho no ninho, como alguém que não vive a sua geração.
A pergunta que não se cala é: meu chamado era para aquela geração e por isso devo seguir com eles em suas angústias e anseios, ou já cumpri meu chamado com esta geração, vou me reciclar (morder uns pescoços) e começar tudo de novo com outros jovens e adolescentes?
Não tenho uma resposta a esta pergunta, só sei que assim como os vampiros, é muito difícil viver sem esta resposta bem clara no seu coração.
Mas cuidado!
As vezes, no caso dos vampiros, a solidão e a angústia são tão grandes que para não perder o seu amor, em um gesto desesperador e egoísta ele morde quem ele mais ama para matá-lo e eternizá-lo para si mesmo e, colocá-lo na sua mesma angústia eternamente.
Líderes que matam a suas fases de vida por amor a um ministério com jovens acabam angustiados e matando as pessoas que eles mais amam!


 Marcos Botelho, pastor de jovens da Igreja Presbiteriana de Alphaville e missionário da SEPAL